Estudo do reconhecimento de fala em indivíduos adultos e idosos portadores de perda auditiva

Publicado em
17/07/2014 por

Estudo do reconhecimento de fala em indivíduos adultos e idosos portadores de perda auditiva do tipo neurossensoriais.

Autoras:

Gilmara do Nascimento
CRFª. 010.377/SP
Fonoaudióloga graduada pela Universidade de Franca em 1999.
E-mail: gilmara@com4.com.br 

Kátia Miriam de Melo Silveira (Orientadora)
Docente do curso de Fonoaudiologia da Universidade de Franca e doutoranda em Distúrbios da Comunicação Humana pela Escola Paulista de Medicina

Aline Domingues Chaves Aita (Co-orientadora)
Doutoranda em Distúrbios da Comunicação Humana pela Escola Paulista de Medicina

Resumo do trabalho de conclusão de curso apresentado à banca examinadora em outubro de 1999 -Universidade de Franca

O objetivo deste estudo foi avaliar o desempenho auditivo de indivíduos adultos e idosos portadores de Perda Auditiva do tipo Neurossensorial por meio do Índice Percentual de Reconhecimento de Fala (IPRF), utilizando as listas de estímulos monossilábicos e dissilábicos com e sem significado propostas por CHAVES (1997). Os 30 sujeitos desta pesquisa, foram inicialmente submetidos a anamnese, meatoscopia e audiometria tonal limiar via aérea e via óssea. 

A seguir realizou-se a avaliação do reconhecimento de fala por meio do Índice Percentual de Reconhecimento de Fala (IPRF). Os valores do Índice Percentual de Reconhecimento de Fala (IPRF) obtidos para cada uma das listas de estímulos utilizadas foram inicialmente analisados quantitativamente, através do número de palavras repetidas corretamente. A seguir realizamos um estudo comparativo entre os valores do Índice Percentual de Reconhecimento de Fala (IPRF) obtidos para cada lista, em função das seguintes variáveis: significado, grau de Perda Auditiva e desempenho obtido com as listas utilizadas na rotina clínica do Ambulatório de Audiologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), onde o material utilizado neste estudo foi desenvolvido. 

Os resultados obtidos mostraram que, as listas de estímulos sem significado foram mais sensíveis para detectar as dificuldades na habilidade de reconhecimento de fala, do que as com significado, sejam elas, monossilábicas ou dissilábicas. O grau de Perda Auditiva interferiu no desempenho auditivo, sendo que os indivíduos com Perda Auditiva de grau leve obtiveram melhores resultados na tarefa de reconhecimento de fala quando comparados aos com Perda Auditiva moderada. 

Concluímos ainda que, os estímulos que mais adequadamente caracterizam as reais dificuldades de reconhecimento de fala de indivíduos portadores de Perda Auditiva do tipo Neurossensorial de grau leve a moderado são as palavras monossilábicas com e sem significado, pois, pelo fato de fornecerem um menor número de pistas facilitadoras, tornam o teste de reconhecimento de fala mais sensível às dificuldades desses indivíduos. 

Observamos também que, o desempenho auditivo dos indivíduos foi semelhante, quando comparou-se as listas elaboradas por CHAVES (1997) e as listas empregadas na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
 

Os resultados encontrados neste estudo concordam com os achados de MANGABEIRA-ALBERNAZ, P. (1981), que referiu que palavras polissilábicas são mais facilmente identificadas do que as monossilábicas e do que as palavras sem significado, pois para que estes últimos sejam reconhecidos, cada fonema deverá ser identificado corretamente. Da mesma forma, concordam com os resultados encontrados por HUSTEDDE & WILEY (1991), quando utilizaram a "Nonsense Syllable Test" (NST) para determinar a habilidade de indivíduos com audição normal e com Perda Auditiva do tipo Neurossensorial nas tarefas de reconhecimento de consoantes. 

Os resultados demonstraram, que tanto para indivíduos normais como para os com Perda Auditiva do tipo Neurossensorial, o teste foi sensível identificando diferenças em todas as habilidades de reconhecimento de consoantes. Concordam ainda com a afirmação de SCHOCHAT (1997), que indivíduos com Perda Auditiva do tipo Neurossensorial nas freqüências agudas apresentam grandes dificuldades na inteligibilidade de fala devido à pobre discriminação vocal, pois a perda de informações acústicas faz aumentar a probabilidade do indivíduo não entender a fala. Isto se dá, pelo fato das consoantes terem a maioria de sua energia acústica concentrada nas altas freqüências e por serem emitidas em intensidades inferiores em relação às vogais. Este resultado concorda também com FRAUENFELDER & TYLER (1987), que afirmaram que o contexto no qual o fonema está inserido influencia seu reconhecimento. 

Os resultados deste estudo, e do estudo de CHAVES (1997), concordam também com o descrito por HUMES & ROBERTS (1990), apud SACALOSKI (1997), quando relataram que o reconhecimento de sílabas sem sentido requer evocação de informações sintáticas ou semânticas, o que não ocorre quando se utilizam estímulos como: palavras, sentenças ou fala contínua.

Referências Bibliográficas:

CHAVES, A.D. Uma nova proposta para avaliação do reconhecimento de fala em adultos com audição normal.Rio grande do Sul. 1997. 81p. Tese (mestrado) – Universidade Federal de Santa Maria.

FRAUENFELDER, U.H. & TYLER, L.K. - The process of spoken word recognition: An introduction. Cognition. n. 25, p. 1-20, 1987.

HUSTEDDE, C.G. & WILEY, T.L. . Consoant recognition patterns and self- assessment of hearing handicap. Journal of Speech and Hearing Research. n. 34, p.1397-1409, 1991.

MANGABEIRA-ALBERNAZ, P. Otorrinolaringologia Prática.10ed. São Paulo: Sarvier, 1981, p. 21-23.

SACALOSKI, M. Limiar de reconhecimento de fala: estudo com diferentes tipos de estímulos verbais. São Paulo, 1997. 81p. Tese (mestrado) - Universidade Federal de São Paulo- Escola Paulista de Medicina.

SCHOCHAT, E. Percepção de fala em perdas auditivas neurossensoriais. In: CARVALHO,R,M.M & LICHTIG, I.Audição: Abordagens Atuais. Carapicuíba: Ed. Pró-fono, 1997, p. 225-234.